O pêssego é um fruto de textura carnuda e firme, polpa amarela e sabor doce.

ORIGEM E HISTÓRIA

O pessegueiro (Prunus persica) é uma árvore de fruto da família da Rosaceae, originária da China e cultivada há mais de 4000 anos.

O pêssego é um dos frutos que, por se propagar facilmente pela sua semente, viu o seu cultivo espalhar-se rapidamente pelo mundo. O processo intencional de cruzar várias espécies criou diferentes variedades permitindo ao pessegueiro adaptar-se às condições de cada região. É, assim, cultivado quer em regiões altas tropicais quer em áreas onde as temperaturas podem chegar aos 30ºC negativos. Os pessegueiros são também usados como decoração, mas, quando plantados em vasos, têm uma esperança de vida mais reduzida.

Devido à diversidade genética, não se consegue precisar a região de origem do pêssego. Pensa-se que este fruto tenha surgido na China, mas os pêssegos do sudeste e nordeste chinês têm características bastante distintas. Ainda se podem encontrar pessegueiros selvagens em florestas no noroeste chinês. Por serem do mesmo género, a fertilização entre o pêssego e a amêndoa é fácil, o que levou muitos botânicos a colocarem a hipótese de o pêssego descender da amêndoa. Estudos recentes concluíram que são espécies com evoluções separadas.

As sementes dos pêssegos viajaram pelas rotas comerciais chegando à Pérsia, de onde receberam o nome Prunus Persica. Plínio, naturalista e filósofo romano, refere o cultivo de pessegueiros na Grécia no ano 386 A.C.

Na Idade Média, os curandeiros acusaram o pêssego de ser um fruto venenoso, mas nos séculos XVI e XVII, principalmente durante a Renascença, o pêssego foi cultivado por toda a Europa e muito apreciado por criadores nas suas obras de arte. O pintor impressionista Auguste Renoir, no século XIX, utilizava o pêssego como modelo para exercitar a pintura de seios femininos, copiando-lhes as formas harmoniosas e perfeitas, assim como as cores. Como técnica de ensino, recomendava a pintura de naturezas-mortas incluindo conjuntos de pêssegos para praticar a pintura de seios, tal como ele próprio fazia. Para acrescentar beleza a esses exercícios, a técnica podia incluir também as flores roxas e brancas do pessegueiro.

Nesta época, França tornou-se o principal centro de produção da espécie e em Inglaterra, durante o reinado da Rainha Vitória, o pêssego tornou-se um símbolo de requinte, sendo servido em todos os jantares de cerimónia. Chegou às Américas, pelos colonizadores ingleses e espanhóis, e nos Estados Unidos da América, nos últimos 100 anos, evoluiu para o pêssego que consumimos atualmente.

 

As nectarinas, ao contrário do que muitos pensam, não são um híbrido entre ameixa e pêssego. Uma nectarina é um pêssego com uma ligeira mutação genética que ocorre num único gene recessivo. Podem nascer galhos/troncos de alguns pessegueiros com esta mutação, os quais passam a produzir nectarina. Ou seja, da mesma árvore podem nascer frutos ligeiramente diferentes. De uma forma geral, a diferença entre nectarina e pêssego é visível nas suas diferentes cascas, existindo ainda algumas diferenças gerais no tamanho, gosto e teor nutricional. As nectarinas tendem a ser menores e mais doces que os pêssegos e possuem um aroma mais perfumado.

CLASSIFICAÇÃO
TAXONÓMICA

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Gênero: Prunus

O género Prunus é da sub-família Prunoideae, pertencente à família Rosaceae. Existem milhares de tipos de pessegueiros em todo o mundo e o seu cultivo é mais económico que muitas outras árvores de frutos. Têm folhas simples e um fruto simples de um endocarpo que contém a semente envolta de polpa (mesocarpo) carnuda e um pericarpo exterior.

O género Prunus etimologicamente vem do latim (Ameixa) e contém outros frutos cuja semente está protegida por um endocarpo duro como as cerejas, alperces, amêndoas e ameixas. Os pêssegos e as amêndoas separam-se dos restantes no subgénero Amygdalus, porque os frutos são pubescentes, têm três brotos axilares com flores solitárias geralmente sésseis e folhas condutivas (laminadas). Alguns cientistas botânicos consideram que o pêssego deve ter o seu próprio subgénero Persica, mas outros consideram que deve fazer parte das amêndoas, Amygdalus.

Tanto os pêssegos como as nectarinas são consideradas Prunus Persica, por serem tão similares. O nome dado ao pêssego, Persica, foi-lhe atribuído pois pensava-se ser originário da Pérsia. No entanto, sabemos hoje que foi na China que o pêssego surgiu, onde ainda existem pessegueiros selvagens, cujo fruto é chamado “Mao Tao” que significa “Pêssego peludo”.onde ainda existem pessegueiros selvagens, cujo fruto é chamado “Mao Tao” que significa “Pêssego peludo”.

Outras espécies mais conhecidas são:

Prunus davidiana – com frutos pequenos e não comestíveis, cresce no norte da China e é cultivado como decoração e para ser enxertado.

Prunus ferganensis – cultivado na Ásia Central, é a única subespécie da Prunus persica.

Prunus mira – cresce nas montanhas do oeste da China e no Nepal e algumas árvores têm a reputação de ter centenas de anos.

PÊSSEGO DO PARAGUAI (variedade Platycarpa)

São mais pequenos, achatados e têm uma pele menos peluda que os pêssegos normais.

NECTARINA BRANCA

BOTÂNICA

Planta
O pessegueiro é uma árvore vigorosa com uma copa que se espalha em todas as direções. As árvores atingem geralmente apenas entre 15 a 20 anos de vida ou menos ainda em locais históricos de cultivo de pêssegos. As folhas, caducas, são oblongo-lanceoladas com pontas agudas, margens finamente serrilhadas, dobradas ligeiramente ao longo do nervo central, com perfil de foice e com comprimento entre 6 e 15 centímetros.

Flores
As flores do pessegueiro são rosa claro com tons de carmim. Têm entre dois a três centímetros de diâmetro.

Polinização
Autopolinizadora, a árvore é normalmente cultivada sem polinizadores.

Fruta
O fruto é uma drupa, ou seja, o endocarpo ósseo (caroço) envolve uma semente única, grande e ovada. A polpa é o mesocarpo e a pele corresponde ao pericarpo. As árvores são muito precoces, produzindo fruto no segundo ano após o plantio. A maior parte dos pessegueiros produz mais flores do as que que a árvore suporta. Em algumas regiões, primaveras com geadas encarregam-se de fazer o desbaste natural do pessegueiro. No entanto, em áreas mais quentes e sem uma poda cuidadosa, uma árvore é capaz gerar mais de 5000 frutos, que nunca terão mais do que 5 centímetros de diâmetro. Muitos galhos não suportam sequer o peso dos frutos, acabando por quebrar antes do amadurecimento.

O pêssego fica pronto a ser colhido entre 55 e 150 dias após a floração, dependendo do clima. A maior parte dos pêssegos tem uma forma arredondada ou oblongada. Alguns podem ter uma forma mais chata e outros oval (como um donut) como é o caso do pêssego do Paraguai.

A qualidade final do pêssego resulta da combinação de açúcares e acidez, juntamente com o aroma e textura. Quando colhidos antes de tempo, os pêssegos revelam-se insípidos e duros e, se colhidos tarde demais, estão secos e farinhentos. Pêssegos de polpa branca são mais aromáticos, enquanto que as nectarinas, para além de apresentarem pele lisa, têm um sabor mais intenso.

A cor do fruto é normalmente suficiente para ver a sua maturidade. O pêssego muda de verde para amarelo palha, e é colhido quando tem firmeza suficiente. Os pêssegos são colhidos à mão e, normalmente, as árvores são colhidas três a quatro vezes em intervalos de dois a três dias. Esta colheita faseada permite colher cada pêssego no estado de maturação ideal.

Os pêssegos não aguentam muito tempo depois de colhidos. Desta forma, como as colheitas são produtivas, mas realizadas num curto período de tempo, muita da produção destina-se a ser enlatada.
Na linha de embalagem, os frutos são primeiro hidrorefrigerados para reduzir a temperatura, depois retirados, desinfetados, escovados, encerados e classificados pelo tamanho. São enviados para os pontos de venda em transporte refrigerado, imediatamente depois da colheita ou após períodos muito curtos de armazenamento, devido ao reduzido tempo de vida.

Armazenamento
Os pêssegos têm uma vida útil curta: nas melhores condições de preservação, aguentam, no máximo, duas semanas. Como não são suscetíveis a ferimentos de arrefecimento, armazená-los a 0ºC é uma forma de maximizar a vida útil.

50-65 mm (Médio)
Formato: Oval/Globóide ou achatado
Epiderme: Casca recoberta por pilosidade esbranquiçada
Cor: Amarelo avermelhado
Cor da polpa: Amarela
Características organolépticas: Firme, carnuda e doce

PRODUÇÃO MUNDIAL

 

Atualmente, o pêssego é uma das frutas mais consumidas no mundo, estimando-se o volume mundial de produção em cerca de 15 milhões de toneladas por ano, distribuído por uma superfície de 1.4 milhões de hectares (FAO, 2006)

A produção de pêssegos tem dois grandes destinos: o consumo em fresco e o mercado de conservas enlatadas, onde o pêssego preserva muitos dos seus benefícios nutricionais. Os pêssegos são uma boa fonte de fibras e vitaminas A e C, mas é o seu sabor e textura que conquista o consumidor. A maior parte dos pêssegos comerciais tem polpa amarela, estando recentemente a produzir-se mais variedades com polpa branca.

A China é o maior produtor de pêssego do mundo, com um volume de produção que representa 40% do total mundial. A Europa é responsável por 27% da produção mundial, seguida pelos Estados Unidos da América, com 9%. Na Europa, Espanha é o país com maior produção, seguida de Itália, Grécia e França.

Como o fruto tem uma vida útil reduzida, não viaja grandes distâncias (a não ser enlatado). No entanto, os mercados do hemisfério sul têm conseguido exportar a sua produção para países europeus e da América do Norte, quando o pêssego se encontra fora de época.

Em alguns países, como os EUA, 50% da produção é consumida fresca e 50% destina-se a ser enlatada. No entanto, há países, como a Grécia, que produzem a maior parte para o mercado enlatado e exportação.

EM PORTUGAL

 

As principais regiões produtoras de Pêssegos são o Ribatejo e Oeste (Ribatejo, Setúbal) e a Beira Interior (Cova da Beira), com um peso superior a 65% na produção total. De referir ainda que pêssego da Cova da Beira tem Indicação Geográfica Protegida. Existem ainda pomares em Trás-os-Montes, mais vocacionados para a produção de pêssegos semi-tardios e tardios, e no Algarve, mais vocacionados para a produção de pêssegos precoces (GPP, 2006). A colheita deste fruto tem início em maio, no Sotavento Algarvio, e termina em outubro, na Cova da Beira. O pico de produção ocorre, normalmente, entre 15 de julho e 15 de agosto. (GPP, 2007).

A área de cultura no nosso país é de 3 905 hectares, obtendo-se uma produção anual de cerca de 46 666 toneladas (FAOSTAT, 2018). A produção foi em 2018 de 42,6 mil toneladas, 4,2% acima da média dos últimos cinco anos (INE, 2018). No que se refere ao comércio internacional, a balança comercial portuguesa é deficitária, tendo sido importado em 2018 mais de 62.000 toneladas e exportadas apenas 10 (INE, 2018). Espanha é o nosso principal fornecedor, com uma quota superior a 90% (INE, 2004).

São produzidas diversas variedades de pêssegos em Portugal, que podemos agrupar em quatro tipos diferentes: pêssegos de polpa amarela, pêssegos de polpa branca, nectarinas e pavias. Cerca de 95% da produção total de pêssegos apresenta polpa amarela. Em relação à cor da epiderme, os frutos de coloração vermelha são os preferidos pelo consumidor (GPP, 2007).

Pomares e unidades de armazenamento encontram-se muito dispersas pelo território nacional, o que limita a concentração da oferta e contribui para a desorganização o mercado. Consequentemente, a produção e comercialização de Pêssegos em Portugal está ainda muito aquém das expectativas. Em algumas regiões, o grande fator limitante para a expansão da cultura é a disponibilidade de água.

A zona da Cova da Beira, onde são produzidos pêssegos de variedades tardias de excelente qualidade, tem potencial de crescimento e pode ser competitiva no mercado externo, principalmente em Espanha.

A produção de Pêssego nacional é maioritariamente escoada para as grandes cadeias de distribuição, mercados abastecedores e mercados regionais através das Organizações de Produtores, armazenistas e produtores individuais com alguma dimensão (GPP, 2007). A indústria de transformação tem contratos de fornecimento com alguns produtores, absorvendo parte dos frutos que não têm calibre para consumo em fresco. Aqui o pêssego é principalmente usado como matéria prima para produção de sumos, iogurtes e conservas (GPP, 2007).

– Pêssego da Cova da Beira IGP –

O Pêssego da Cova da Beira IGP é reconhecido pela sua excelente qualidade. De polpa amarela e suculenta, este fruto resulta da produção de diferentes variedades de pessegueiros na região da Cova da Beira.

A área de produção deste fruto corresponde à junção da área dos concelhos do Fundão, Covilhã, Manteigas e Belmonte (DGADR).  É o clima da região que dá ao fruto características tão peculiares. Com localização entre as montanhas da Serra da Gardunha, Serra da Estrela e Serra da Malcata, os frutos são protegidos dos ventos do Atlântico, passam por uma primavera suave, mas enfrentam uma quantidade significativa de frio (DGADR). Acrescentando, ainda, os solos característicos da região, reúnem-se as condições que diferenciam o Pêssego da Cova da Beira IGP dos demais.

Diversas variedades de pêssego podem originar o Pêssego da Cova da Beira IGP, nomeadamente, “Dixired”, “Red Top”, “J. H. Hale”, “Merril Franciscan”, “Black”, Rubidoux”, “Carnival” e “Halloween”, dependendo das características especificas dos solos e de condições de altitude, clima e exposição solar (DGADR).

Historicamente, o Pêssego da Cova da Beira IGP surgiu quando, após uma produção de cerejas na região de enorme sucesso, a população iniciou o cultivo pêssego. De sabor e suculência distintos e polpa amarela, este fruto atraiu desde logo elevada procura. Cultivado na região há muitos anos, o pêssego da Cova da Beira IGP é já reconhecido internacionalmente pela sua excelência.

– Pêssego Maracotão –

O pêssego Maracotão é um fruto arredondado, com peso normalmente entre as 80 e 100 g e que apresenta uma polpa rija, compacta e aderente ao caroço. Com pele ligeiramente pilosa, este pêssego é produzido na região de Lisboa e Vale do Tejo e apresenta duas variedades: o pêssego de Maracotão branco, cuja maturação ocorre entre agosto e setembro, e o pêssego de Maracotão amarelo, com maturação entre fins de setembro e outubro (DGDR, 2001).

Apesar de não se saber a origem do fruto, este existe na região há mais de 100 anos. Estima-se que em 1931 existissem 1.379.430 pessegueiros distribuídos principalmente pela Estremadura e Beiras (DGDR, 2001).

Estes pessegueiros são cultivados por sementeira no meio da vinha para servirem de sombreiro aos trabalhadores do campo. Por ter a maturação na altura das vindimas, o pêssego de Maracotão é vulgarmente conhecido por “pêssego da vindima” (DGDR, 2001).

Este fruto pode ser consumido ao natural ou usado para o fabrico de compotas. É, ainda, um dos ingredientes de um doce tradicional denominado «arroubo», «arroube» ou «uvada».

COMPOSIÇÃO
NUTRICIONAL

A tabela 1 representa a composição nutricional de 100g de pêssego. Ao contrário do que possa parecer, do ponto de vista nutricional, apesar de doce, o Pêssego não é um fruto com muitas calorias, possuindo muita água e sendo rico em fibras.
Tabela 2. Composição Nutricional por 100g de porção edível de pêssego.

Para (100g) % DDR
Energia (kcal) 44
Macronutrientes
Água (g) 87,5
Proteína (g) 0,6
Gordura Total (g) 0,3
Hidratos de Carbono Totais (g) 8,1
Fibra Alimentar (g) 2,3
Vitaminas
Vitamina A (Equivalentes de retinol, µg) 67 8
Vitamina D (µg) 0 0
Vitamina E (α-tocoferol, mg) 0,97 8
Vitamina B1 (Tiamina, mg) 0,03 3
Vitamina B2 (Riboflavina, mg) 0,03 2
Vitamina B3 (Niacina, mg) 1 6
Vitamina B6 (Piridoxina, mg) 0,02 1
Vitamina B12 (Cobalamina, µg) 0 0
Vitamina C (Ácido Ascórbico, mg) 4 5
Folatos (µg) 3 2
Minerais
Cinza (g) 0,45
Sódio (mg) 3 0
Potássio (mg) 160 8
Cálcio (mg) 8 1
Fósforo (mg) 20 3
Magnésio (mg) 8 2
Ferro (mg) 0,3 2
Zinco (mg) 0,1 1

Fonte: TCA – Tabela de Composição de Alimentos. Centro de Segurança Alimentar e Nutrição. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. (Adaptado de: http://www.insa.pt). Dose Legal Recomendada Nacional, aprovada em Diário da República (http://www.apcv.pt/pdfs/legislacao/DL%2054_2010.pdf)

Durante muito tempo, o pêssego era a fruta preferida da nobreza, que apreciava o sabor suave e suculento da sua polpa, igualmente aveludada. Nutritivo e versátil, o pêssego pode ser saboreado fresco, em saladas de frutas, escaldado para fazer bolos, tortas e outras sobremesas ou enlatado, em conserva, denominado “pêssego em calda”.

A polpa do pêssego tem as mesmas aplicações cosméticas que as do alperce: o sumo fresco aplicado no rosto sob a forma de loção é um excelente tónico. As folhas, as flores e a “amêndoa” do caroço contêm uma substância química geradora de ácido cianídrico, pelo que não devem ser consumidas.