O pessegueiro (Prunus persica, L.) é uma fruteira da família da Rosaceae, originário da China e cultivado há mais de 4000 anos.

ORIGEM E HISTÓRIA

O pêssego é um dos frutos que, por se propagar facilmente pela sua semente, rapidamente o seu cultivo se espalhou rapidamente pelo mundo. O processo intencional de cruzar várias espécies criou diferentes variedades permitindo ao pessegueiro adaptar-se às condições de cada região, sendo cultivado em regiões altas tropicais e áreas onde as temperaturas podem chegar aos 30ºC negativos. Os pessegueiros são também plantados para servir de decoração, mas em vasos têm uma esperança de vida mais reduzida.

A maior parte dos pêssegos comerciais têm polpa amarela, apesar de recentemente estarem a produzir-se variedades com polpa branca.
Os pêssegos são uma boa fonte de fibras e vitaminas A e C, mas, normalmente, não são comprados pelas suas qualidades nutricionais e sim, pelo seu sabor e textura.

Atualmente, o pêssego é uma das frutas mais largamente difundidas pelo mundo, estimando-se a sua produção mundial e anual em cerca de 15 milhões de toneladas, distribuídas por uma superfície de 1.4 milhões de hectares, de acordo com os dados da FAO.
A produção de pêssegos tem dois grandes destinos: o consumo fresco e o Mercado de conservas enlatadas, onde felizmente, o pêssego não perde muito dos seus benefícios nutricionais.

Devido à diversidade genética não se consegue precisar a região de origem. Pensa-se que seja na China, mas os pêssegos do sudeste e nordeste chinês têm características bastante distintas. Ainda se podem encontrar pessegueiros selvagens em florestas no noroeste Chinês. Por serem do mesmo género, a fertilização entre o pêssego e a amêndoa é fácil e muitos botânicos estimavam que o pêssego descende da amêndoa, mas estudos recentes concluíram que são espécies com evoluções separadas.

As sementes dos pêssegos viajaram pelas rotas comerciais chegando à Pérsia, de onde receberam o nome Prunus Persica. Plínio, romano naturalista e filósofo, refere o cultivo de pessegueiros na Grécia em 386 A.C.

Na idade média, os curandeiros acusaram-no de ser um fruto venenoso, mas nos séculos XVI e XVII, principalmente durante a Renascença, foi cultivado por toda a Europa e muito apreciado por todos para uso em obras de arte.

O pintor impressionista Auguste Renoir, no século 19, utilizava o pêssego como modelo para se exercitar na pintura de seios femininos, copiando-lhes as formas harmônicas e perfeitas, assim como as cores. E ensinava o truque aos seus alunos, dizendo que, se quisessem pintar seios como ele o fazia, deviam, primeiro, dedicar-se a naturezas-mortas que incluíssem conjuntos de pêssegos. Para agregar beleza a esses exercícios, podiam incluir também as flores roxas e brancas do pessegueiro.

A França nesta época tornou-se o principal centro de produção da espécie e em Inglaterra, durante o reinado da rainha Vitória, o pêssego tornou-se um símbolo de requinte, sendo servido em todos os jantares de cerimónia.
Chegou às Américas, pelos colonizadores ingleses e espanhóis e nos EUA, nos últimos 100 anos, tem-se desenvolvido e evoluído o pêssego que consumimos atualmente.

As nectarinas não são um híbrido entre ameixa e pêssego como muitos pensam. Uma nectarina é um pêssego com uma ligeira mutação genética que ocorre num único gene recessivo. Podem nascer galhos/troncos de alguns pessegueiros com esta mutação que passe a produzir nectarina. Ou seja, da mesma árvore podem nascer frutos ligeiramente diferentes. De uma forma geral, não é apenas a pele da nectarina que difere da do pêssego, pois tem uma polpa mais firme, é mais sólido e de tamanho menor.

Apesar de um pessegueiro poder gerar nectarinas, uma árvore que apenas dê nectarinas não gera pêssegos, apesar de serem completamente indistinguíveis.

CLASSIFICAÇÃO
TAXONÓMICA

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Gênero: Prunus

O género Prunus é da sub-família Prunoideae, da família Rosaceae. Existem milhares de tipos de pessegueiros em todo o mundo e o seu cultivo é mais económico que muitas outras árvores de frutos. Têm folhas simples e um fruto simples de um endocarpo, que contém a semente, envolto de polpa (mesocarpo) carnuda e um pericarpo exterior.

O género Prunus, etimologicamente vem do Latim (ameixa) e contém outros frutos cuja semente está protegida por um endocarpo duro como o das cerejas, alperces, amêndoas e ameixas.

Os pêssegos e amêndoas separam-se destes, no subgénero Amygdalus , porque os frutos são pubescentes, têm três brotos axilares com flores solitárias geralmente sésseis e folhas condutivas (laminadas).

Alguns cientistas botânicos consideram que o pêssego deve ter o seu próprio subgénero Persica, mas outros consideram que deve fazer parte das amêndoas,

Amygdalus – Tanto os pêssegos como nectarinas são consideradas Prunus Persica, por serem tão semelhares exceto na pubescência do fruto.
O nome dado, Persica, foi-lhe atribuído pois quando foi “batizado” pensava-se que a sua origem era a Pérsia. No entanto sabemos que foi na China, onde ainda existem pessegueiros selvagens, cujo fruto é chamado “Mao Tao” que significa “pêssego peludo”.

Outras espécies mais conhecidas são
Prunus davidiana – com frutos pequenos e não comestíveis que cresce no norte da China que é cultivado como decoração e para ser enxertado.

Prunus ferganensis – Cultivado na Ásia central é a única subespécie da Prunus persica

Prunus mira – cresce nas montanhas do oeste da China e no Nepal e algumas árvores têm a reputação de ter centenas de anos.

PÊSSEGO DO PARAGUAY (variedade Platycarpa)

São mais pequenos, achatados e têm uma pele menos peluda que os pêssegos normais

NECTARINA BRANCA

BOTÂNICA

Planta
O pessegueiro é uma árvore vigorosa quando cresce, mas pequena (oito metros se não for podada), com uma copa que se espalha em todas as direções. As árvores são de curta duração, geralmente vivem apenas entre 15 a 20 anos e ainda menos em locais históricos de cultivo de pêssegos. As folhas, caducas, são oblongo-lanceoladas com pontas agudas, com margens finamente serrilhadas, dobradas ligeiramente ao longo do nervo central, com perfil de foice com comprimento entre 6 a 15 centímetros.

Flores
As flores do pessegueiro são rosa claro, com tons de carmim. Têm entre dois a três centímetros de diâmetro.

Polinização
Auto-polinizadora, normalmente cultivado sem polinizadores.

Fruta
O fruto é uma drupa, isto é o endocarpo ósseo (caroço) envolve uma semente única, grande e ovada. A carne é o mesocarpo e a pele é o pericarpo. As árvores são muito precoces, produzindo fruto no segundo ano após o plantio. A maior parte dos pessegueiros produz mais flores do que a árvore suporta, para produção comercial. Nalgumas regiões, primaveras com geadas encarregam-se deste desbaste natural, mas em áreas mais quentes, sem uma poda cuidadosa, uma árvore pode gerar mais de 5000 frutos, que nunca teriam mais do que 5 centímetros de diâmetro. Muitos galhos também não suportariam o peso dos frutos, quebrando-se antes do amadurecimento.

O pêssego fica pronto a ser colhido 55 e 150 dias após floração, dependendo do clima. A maior parte dos pêssegos tem uma forma arredondada ou oblongada. Alguns podem ter uma forma mais chata e outros oval, como um donut (Pêssego do Paraguai).

A qualidade final do pêssego resulta da combinação de açúcares e acidez, juntamente com o aroma e textura. Quando colhidos antes de tempo, os pêssegos revelam-se insípidos e duros e depois de tempo estão secos e farinhentos. Pêssegos de polpa branca são mais aromáticos e as nectarinas, para além de pele lisa, têm um sabor mais intenso.

A cor do fruto é normalmente suficiente para ver a sua maturidade. O pêssego muda de verde para amarelo palha, quando tem firmeza suficiente, é colhido. Os pêssegos são colhidos à mão e, normalmente, as árvores são colhidas três a quatro vezes em intervalos de dois a três dias, levando apenas a fruta madura em cada colheita.

Os pêssegos não duram muito depois de colhidos e como as colheitas são produtivas mas realizadas num curto espaço de tempo, muito da produção destina-se a ser enlatada.

Na linha de embalagem os frutos são primeiro hidro-refrigeradas para reduzir a temperatura, depois retirados, desinfetados, escovados, encerados e classificados pelo tamanho. São enviadas para os pontos de venda, imediatamente após a colheita, em caminhões refrigerados ou após curtos períodos de armazenamento devido ao reduzido tempo de vida.

Armazenamento
Os pêssegos têm uma vida útil curta, no máximo cerca de duas semanas nas melhores condições. Como não são suscetíveis a ferimentos de arrefecimento podem ser armazenados a 0ºC para maximizar a vida útil.

50-65 mm (Médio)
Formato: Oval/Globóide ou achatado
Epiderme: Casca recoberta por pilosidade esbranquiçada
Cor: Amarelo avermelhado
Cor da polpa: Amarela
Características organolépticas: Firme, carnuda e doce

PRODUÇÃO MUNDIAL

 

Atualmente, o pêssego é uma das frutas mais consumidas no mundo, estimando-se um volume mundial e anual de produção em cerca de 15 milhões de toneladas, distribuído por uma superfície de 1.4 milhões de hectares, de acordo com os dados da FAO .

A China é o maior produtor do mundo, com um volume de produção que representa 40% do total mundial. A Europa é responsável por 27% da produção mundial, seguida pelos Estados Unidos da América, com 9%. Na Europa os países com maior produção são a Espanha seguida da Itália, Grécia e França.

Como o fruto tem uma vida útil reduzida, não viajam grandes distâncias (a não ser que estejam enlatados). No entanto, os mercados do hemisfério sul tem conseguido exportar a sua produção para países Europeus e da América do Norte, por estarem fora de época nesses países.
Em alguns países, como os EUA, 50% da produção é consumida fresca e 50% destina-se a ser enlatada. No entanto há países, como a Grécia, que produzem a maior parte para o mercado enlatado e exportação.

EM PORTUGAL

 

Em Portugal, as principais regiões produtoras de pêssegos são o Ribatejo e Oeste, Palmela, Algarve, Campo Maior, Vilariça e Cova da Beira, possuindo esta última a designação de IGP – Indicação Geográfica Protegida.
A área de cultura no nosso país é de 6.729 hectares, obtendo-se uma produção anual de cerca de 52.000 toneladas , mas as áreas de exploração são pequenas, onde mais de 90% possui uma área inferior a 2 hectares.

Dentro das múltiplas variedades de pêssegos produzidos em Portugal a maior parte, cerca de 95%, possuem polpa amarela. Em relação à cor da epiderme, são melhor aceites pelo consumidor e mais valorizados os frutos de coloração vermelha. Podemos agrupar as diversas variedades em quatro tipos diferentes: pêssegos de polpa amarela, pêssegos de polpa branca, nectarinas e pavias.

Parte da produção nacional destina-se à indústria transformadora, onde os pêssegos são usados em sumos, iogurtes e conservas.
A colheita deste fruto tem início em maio no sotavento algarvio e termina em outubro, na Cova da Beira. O pico de produção ocorre entre 15 de julho e 15 de agosto.
O escoamento do pêssego tem o destino das grandes cadeias de distribuição, aos mercados abastecedores e aos mercados regionais. A indústria de transformação tem contratos de fornecimento com alguns produtores, absorvendo parte dos frutos que não têm qualidade ou calibre para consumo em fresco.

No que se refere ao comércio internacional, a balança comercial portuguesa é deficitária. Espanha é o nosso principal fornecedor, com uma quota superior a 90%. No que concerne às vendas, as exportações são países europeus, com destaque para o Reino Unido, Espanha e França.

A produção nacional e sua comercialização está muito aquém das expectativas, devido a vários fatores, como a elevada dispersão dos pomares e das unidades de armazenamento, que impedem a concentração da oferta e desorganizam o mercado. Nalgumas regiões, o grande fator limitante para a expansão da cultura é a disponibilidade de água.
A zona da Cova da Beira, especializada na produção de pêssego de variedades tardias, tem potencial para crescer, podendo ser competitiva no mercado externo, particularmente em Espanha, graças à excelente qualidade dos frutos.

– Pêssego da Cova da Beira IGP –

O Pêssego da Cova da Beira IGP é um fruto pertencente a várias variedades da espécie Prunus persica. Apresenta uma polpa amarela muito suculenta e um sabor que satisfaz o paladar mais exigente.

Método de produção: A produção do fruto resulta das diferentes variedades regionais de pessegueiros existentes na região: “Dixired”, “Red Top”, “J. H. Hale”, “Merril Franciscan”, “Black”, Rubidoux”, “Carnival” e “Halloween” em solos de meia encosta de origem granítica e bem drenados.

Os solos característicos e clima, influenciado pela posição entre as montanhas da Serra da Gardunha, Estrela e Malcata, que proporciona uma quantidade significativa de frio, uma primavera suave e proteção contra os ventos do Atlântico, reúnem as condições essenciais para a produção do Pêssego da Cova da Beira IGP, diferenciando–o de outros obtidos noutras regiões.

Características particulares: As diferentes variedades de Pêssego da Cova da Beira IGP são produzidas numa área com um clima particular: a Cova da Beira, atravessada pelo rio Zêzere e situada entre a Serra da Gardunha e a Serra da Estrela que protegem as árvores dos ventos fortes do Atlântico. Cada variedade difere na cor e pigmentação, dependendo da quantidade de açúcar que contêm, que deve ser sempre superior a 7%.

Área de produção: Todas as freguesias dos concelhos do Fundão, Covilhã, Manteigas e Belmonte, no distrito de Castelo Branco.

História: Tendo atingido um grande sucesso com o cultivo de cerejas nesta região a população local começou a cultivar uma variedade de pêssego extremamente saborosa e suculenta. Por esta razão, há muitos anos, pêssegos de polpa amarela foram introduzidos, aumentando desde logo a procura. Cultivado na região há muitos anos é reconhecido nacional e internacionalmente como um pêssego de qualidade excecional.

– Pêssego Maracotão –

Descrição: Fruto redondo da espécie Prunus persica, com 80 a 100 gramas de peso, de cor amarela, polpa rija e compacta, aderente ao caroço e pele ligeiramente pilosa. Existem duas variedades de Pêssego Maracotão: o branco, cuja maturação ocorre entre agosto e setembro, e o amarelo, de maturação mais tardia, entre fins de setembro e outubro.

Região: Lisboa e Vale do Tejo.

Particularidade: Pêssego amarelo, de polpa muito rija e de caroço aderente.

História: Este fruto existe na região há mais de 100 anos, não se sabendo a sua proveniência. Joaquim Rasteiro avaliava a existência, em 1931, de 1.379.430 pessegueiros, distribuídos na sua maior parte pela Estremadura e as Beiras. Este pêssego é vulgarmente conhecido pelo «pêssego da vindima» porque a sua maturação ocorre na altura das vindimas.

Uso: O pêssego é consumido ao natural, sendo ainda utilizado no fabrico de compotas. É um dos componentes do doce tradicional denominado de «arroubo», «arroube» ou «uvada».

Saber fazer: É cultivado tradicionalmente por sementeira direta no meio da vinha, a espaços, servindo como sombreiro aquando dos trabalhos no campo. O compasso usado é de cerca de 5 a 6 m, sendo as podas ligeiras e os tratamentos raros. É um fruto de sequeiro.

COMPOSIÇÃO
NUTRICIONAL

A tabela 1 representa a composição nutricional de 100g de pêssego. Ao contrário do que possa parecer, do ponto de vista nutricional, apesar de doce, o pêssego não é um fruto com muitas calorias, possuindo muita água e é rico em fibras e minerais hidrossolúveis.
Tabela 2. Composição Nutricional por 100g de porção edível de pêssego.

Para (100g) % DDR
Energia (kcal) 44
Macronutrientes
Água (g) 87,5
Proteína (g) 0,6
Gordura Total (g) 0,3
Hidratos de Carbono Totais (g) 8,1
Fibra Alimentar (g) 2,3
Vitaminas
Vitamina A (Equivalentes de retinol, µg) 67 8
Vitamina D (µg) 0 0
Vitamina E (α-tocoferol, mg) 0,97 8
Vitamina B1 (Tiamina, mg) 0,03 3
Vitamina B2 (Riboflavina, mg) 0,03 2
Vitamina B3 (Niacina, mg) 1 6
Vitamina B6 (Piridoxina, mg) 0,02 1
Vitamina B12 (Cobalamina, µg) 0 0
Vitamina C (Ácido Ascórbico, mg) 4 5
Folatos (µg) 3 2
Minerais
Cinza (g) 0,45
Sódio (mg) 3 0
Potássio (mg) 160 8
Cálcio (mg) 8 1
Fósforo (mg) 20 3
Magnésio (mg) 8 2
Ferro (mg) 0,3 2
Zinco (mg) 0,1 1

Fonte: TCA – Tabela de Composição de Alimentos. Centro de Segurança Alimentar e Nutrição. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. (Adaptado de: http://www.insa.pt). Dose Legal Recomendada Nacional, aprovada em Diário da República (http://www.apcv.pt/pdfs/legislacao/DL%2054_2010.pdf)

Durante muito tempo o pêssego era a fruta preferida da nobreza, que apreciava o sabor suave e suculento da sua polpa, igualmente aveludada. Nutritivo e versátil, o pêssego pode ser saboreado fresco, em saladas de frutas, escaldado para fazer bolos, tortas e outras sobremesas ou enlatado em conserva, denominado pêssego em calda.

A polpa do pêssego tem as mesmas aplicações cosméticas que as do alperce. As folhas, as flores e a “amêndoa” do caroço contêm uma substância química geradora de ácido cianídrico, pelo que não devem ser consumidas. Só o xarope de flores de pessegueiro em doses rigorosas continua a ser receitado às crianças como laxante e sedativo.