A maçã é um fruto rijo e firme, com casca variável de acordo com a variedade. Amarelas, verdes ou encarnadas, as maçãs são frutas doces e sumarentas.

ORIGEM E HISTÓRIA

A maçã (Malus Domestica) é o fruto mais icónico do mundo, cultivado há milénios e símbolo de bondade e de saúde.

A maçã foi muito utilizada na mitologia de muitos povos, desde a grega à nórdica (onde os deuses lhe atribuíam a sua imortalidade). Desde a poesia à pintura, a maçã é apresentada como mágica e com capacidades de curar todas as doenças humanas. Apesar de haver muita discussão sobre que fruto Eva deu a Adão, alguns cristãos tiraram esta ideia do facto do nome em latim de “Maçã” ser igual ao de “Mal”: Malus.Desde o século XII, a macieira ficou considerada a Árvore do Conhecimento.

Esta espécie pode ser encontrada desde a Sibéria, sobrevivendo a temperaturas de -40ºC até a regiões elevadas dos trópicos. Talvez tenha sido a primeira árvore de fruto a ser cultivada e os seus frutos têm evoluído ao longo de milhares de anos.

A origem é atribuída à Ásia, onde hoje ainda podemos encontrar florestas inteiras de macieiras, e uma análise recente ao seu ADN indica que a origem da macieira selvagem (Malus Sylvestris) seja nas montanhas do Cazaquistão.
Pensa-se, inclusive, que Alexandre, o Grande, trouxe macieiras pequenas do Cazaquistão para a Macedónia.

A maçã é vítima da sua própria criatividade genética, uma característica chamada pelos botânicos de heterozigosidade, que assegura que as sementes de uma maçã possam dar origem a uma macieira cujos frutos têm características diferentes da sua “mãe”. Existem, por isso, milhares de variedades de maçãs espalhadas por todo o mundo e o enxerto é a forma mais comum de cultivo por parte de agricultores, assegurando a variedade que pretendem. No estado de Nova Iorque (EUA) o USDA tem uma coleção de mais de 2500 variedades de macieiras, espalhadas por 50 hectares de terra.

Durante anos, as maçãs eram conservadas, nas zonas mais frias da Europa e Ásia, com o frio exterior, servindo de alimento às populações durante a estação do inverno.

A aplicação da maçã é tão diversificada na alimentação humana quanto as suas variedades. Pode ser consumida fresca, utilizada para fazer compotas, tartes, molhos, bebidas alcoólicas e, claro, sumo.

CLASSIFICAÇÃO
TAXONÓMICA

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Gênero: Malus

A maçã pertence à família Rosaceae e contém 27 espécies selvagens e pelo menos 20 espécies cultivadas que estão categorizadas. Mas a compatibilidade e facilidade de cruzamento geraram tantos híbridos que a categorização de todos eles é uma tarefa hercúlea.
O presumível antepassado da maçã, (Malus Sylvestris) pode-se encontrar ainda hoje nas florestas de Tien Shan, na fronteira da China Ocidental e do Cazaquistão.

Existem milhares de locais de cultivo de maçãs no mundo, cada um com as suas características próprias e desejadas.

O Homem criou e desenvolveu várias espécies adequadas a diferentes gostos e usos, desde a culinária ao consumo cru, passando pela produção de cidra e sumo. Na agricultura, as macieiras domésticas são normalmente enxertadas e a sua propensão a fungos, bactérias e pragas pode ser controlada por vários meios orgânicos e não orgânicos.

Existem mais de 7500 variedades de maçã no mundo e, se comêssemos uma por dia, demoraríamos mais de 20 anos para provar todas. As principais variedades mais produzidas no mundo são:

RED DELICIOUS

Uma maçã popular cujo aspeto é igual ao que a Rainha Má deu à Branca de Neve. Infelizmente, a sua popularidade cria um excesso de armazenamento e muitos supermercados vendem a Red Delicious fora de época, tornando-a menos crocante e insípida. Se for colhida na época certa e consumida crua e fresca é deliciosa, mas não é recomendada para assar ou fritar.

GOLDEN DELICIOUS

Doce, suculenta e suave, esta é provavelmente a maçã mais produzida no mundo. É boa para comer crua, para fritar e fazer tartes e a polpa não escurece tão facilmente como a de outras maçãs.

GRANNY SMITH

Originalmente da Austrália, esta maçã verde-clara possui uma polpa branca, firme e suculenta que é doce e gélida ao mesmo tempo. É boa para comer crua, saltear e assar.

GALA

Nativa da Nova Zelândia, a Gala é agradavelmente doce e crocante com a pele dourada com um toque rosado. Pode-se comer crua, saltear ou assar lentamente.

REINETA

Possui uma pele mais rústica e é um pilar da cozinha francesa. O seu sabor é picante, mais ácido e a consistência que mantém, quando cozida ou assada, é a escolha ideal para o “strudel” de maçã

BRAVO DE ESMOLFE (Portugal)

Designa-se por Maçã Bravo de Esmolfe DOP, o fruto da espécie Malus domestica Borkh na região delimitada. É uma maçã de calibre médio a pequeno, de forma oblongo-cónica. A sua epiderme esbranquiçada apresenta por vezes manchas avermelhadas. Caracteriza-se pelo seu aroma intenso e agradável e pela polpa branca macia, suculenta, doce e com boas qualidades gustativas.

BOTÂNICA

A macieira pode atingir os 12 metros de altura, mas para facilidade comercial, a poda mantém a altura a 6 metros.
As folhas têm entre três a dez centímetros de comprimento e são alternadas, simples, com uma margem serrilhada. As flores juntam-se em corimbos e têm cinco pétalas, que podem ser brancas, cor-de-rosa ou vermelhas, com estames geralmente vermelhos que produzem pólen copioso e um ovário meio-inferior. A floração ocorre na primavera variando muito e dependendo da subespécie.

De uma forma geral, não se cultivam macieiras nos trópicos porque esta espécie requer temperaturas de 0ºC a 10ºC para crescer e se reproduzir. Uma exceção nestas zonas tropicais são regiões altas onde, com recurso a técnicas de tratamento especiais, se conseguem duas colheitas por ano.

As macieiras são podadas para limitar o crescimento e promover a floração. O corte de folhas cria stress na planta e permite a entrada de mais luz solar estimulando o nascimento de flores. Basta a sobrevivência de 5% a 10% das flores para se ter uma boa colheita de maçãs.

A macieira tem folha caduca, os brotos são vegetativos ou contêm órgãos vegetativos e florais e a maioria dos brotos florais são suportados em ramos ou esporas. As flores têm cinco sépalas de cinco pétalas, com aproximadamente 20 estames.

O crescimento dos frutos segue uma curva sigmoide e o tamanho pode variar entre os 2.5 centímetros de diâmetro até aos 12.5 centímetros, dependendo da variedade. A cor também depende deste fator, onde umas podem manter a cor verde mesmo na fase madura (Granny Smith), outras ficam amarelas (Golden Delicious) e outras ficam parcialmente ou completamente encarnadas (Red Delicious).

Apesar da luz solar direta causar alguma pigmentação amarelada, ela é essencial para o desenvolvimento do fruto. A cor final da casca vai então depender da exposição solar e da temperatura (zonas que têm noites frias produzem frutos com cores mais intensas).

A maçã deve ser colhida à mão. Apesar de se terem testado diversos métodos de automatização, nenhum deu resultado e a forma mais tecnológica utilizada são plataformas elétricas que permitem elevar pessoas para colherem o fruto manualmente. As frutas comerciais podem conter 10 ou mais sementes.

Parte do destino da produção destina-se ao consumo direto do fruto fresco. Este é armazenado em grandes armazéns com controlo de temperatura e atmosfera. Os frutos que não têm condições para serem vendidos ao público são, em muitos países, usados para produzir bebidas alcoólicas como sidra.

25-125 mm (Médio)
Formato: Oval/Globóide
Epiderme: Fina e lisa
Cor: Amarela, verde ou encarnada
Cor da polpa: Branca
Características organolépticas: Rija, firma, sumarenta e doce

PRODUÇÃO MUNDIAL

 

A produção mundial de maçãs rondava as 77 milhões de toneladas anuais, no ano de 2011.
A China é o maior produtor de maçã no Mundo, com um contributo de cerca de 39% na produção mundial. No entanto a produção não é de grande qualidade e grande parte da colheita tem o destino de produzir sumo. Seguem-se-lhe os Estados Unidos da América com 7%, o Irão e a Turquia, cada um com um peso de 4%.

Nos últimos 20 anos, países da América Latina como o Brasil, Chile e Argentina tem aumentado consideravelmente a sua produção. Na União Europeia (UE-25), a Alemanha era o principal produtor europeu no início do século, mas atualmente foi ultrapassada pela Polónia, Itália e França. As principais variedades de maçã produzidas a nível comunitário são a Golden Delicious, Gala, Red Delicious, Idared e Jonagold.

A maior parte de produtores procura produzir maçãs de boa qualidade para serem consumidas frescas, uma vez que conseguem obter melhores preços pelo produto. No entanto muitas maçãs têm destinos diferentes. Podem ser enlatadas, usadas para fazer vinagre, sidra e, claro, sumo.

EM PORTUGAL

 

Se a pera tem o saldo da balança comercial positivo, o da maçã é claramente negativo. Grande parte das trocas comerciais são dentro do espaço comunitário, sendo os nossos principais parceiros a Espanha e França, no caso do fornecimento de maçã, e a Espanha e Reino Unido no que respeita às exportações. A produção nacional corresponde a cerca de 2,5% da produção anual da UE-25.
Segundo os dados do INE, o saldo da balança comercial tem melhorado e a produção tem tido um crescimento constante, com a exceção de 2016 onde o inverno ameno fez reduzir a produção.

A maçã é a espécie com maior peso no volume de produção de frutos frescos a nível de Portugal Continental. As principais regiões de produção de maçã são, por ordem de importância, o Ribatejo e Oeste (40%), Trás-os-Montes (30%), Beira Litoral (13%) e a Beira Interior (12%).

– Maçã Bravo de Esmolfe DOP –

(conteúdos adaptados do site da Direção-Geral do Desenvolvimento Rural)

Descrição: Designa-se por Maçã Bravo de Esmolfe DOP, o fruto da espécie Malus domestica Borkh na região delimitada. É uma maçã de calibre médio a pequeno, de forma oblongo-cônica. A sua epiderme esbranquiçada apresenta por vezes manchas avermelhadas. Caracteriza-se pelo seu aroma intenso e agradável e pela polpa branca macia, sucosa, doce e com boas qualidades gustativas.

Método de produção: A altitude ótima de cultivo para a Maçã Bravo de Esmolfe DOP situa-se entre 350 e 550 m. A floração tardia que se observa nesta variedade permite-lhe uma excelente adaptação ao clima da região de produção, onde os riscos de geada tardia são elevados. A entrada em produção é muito lenta, com alternância, normalmente de dois ou mais anos. A colheita é feita a partir da 2ª quinzena de setembro.

Características particulares: É uma maçã de conservação prolongada e particularmente perfumada. O facto de ser uma variedade autóctone permite-lhe uma perfeita integração nas condições edafoclimáticas da região.

Área de produção: A área geográfica de produção está circunscrita a alguns concelhos dos distritos da Guarda, Castelo Branco, Coimbra e Viseu.

História: Esta variedade regional, conhecida desde o séc. XVIII, é originária da aldeia de Esmolfe (Penalva do Castelo) e terá sido obtida a partir de uma árvore proveniente de semente. Como os seus frutos são muito apreciados, tiraram-se enxertos que disseminaram esta variedade por várias zonas de produção frutícola, especialmente na Região da Beira Alta e em parte da Cova da Beira.

– Maçã da Beira Alta IGP –

Descrição: A Maçã da Beira Alta IGP, tem de ser proveniente das variedades Golden, Gala, Red Delicious, Starking, Jonagold, Granny Smith, Jonared e Reinetas, obtidas na região delimitada. Caracteriza-se pelo seu bom paladar, perfume e capacidade de conservação.

Método de produção: Os verões com temperaturas altas e com pouca chuva característicos da região de produção, conduzem a uma coloração intensa dos frutos e a altos teores de açúcar.

Características particulares: A rispidez do clima nesta região, tão bem retratada no livro de Aquilino Ribeiro “Terras do Demo”, com os seus invernos muito frios e verões quentes e secos, induz boas condições para a cultura da macieira, produzindo excelentes maçãs que são apreciadas em todo o país.

Área de produção: A área geográfica de produção da Maçã da Beira Alta IGP está delimitada do ponto de vista administrativo aos Distritos de Viseu e da Guarda e aos concelhos de Oliveira do Hospital, Tábua e Arganil.

História: A origem da Maçã da Beira Alta IGP está estreitamente ligada à história da região. Os habitantes da região da Beira Alta perceberam muito cedo que tinham as condições ideais para a produção de excelentes maçãs, tendo estes frutos adquirido grande reputação em todo o país. Atualmente, a Maçã da Beira Alta IGP continua a ser conhecida pela sua diferenciação qualitativa em relação à proveniente de outras regiões produtoras.

– Maçã de Alcobaça IGP –

A Maçã de Alcobaça IGP, tem a área geográfica delimitada e apenas pode ser das variedades Casa Nova, Golden Delicious, Red Delicious, Gala, Fuji, Granny Smith, Jonagold, Reineta e Pink. São consistentes e crocantes, bastante doces e ácidas e o elevado e equilibrado teor de acidez e açúcar confere às maçãs de Alcobaça o aroma e o sabor agridoce específicos, que as diferenciam.

Área de produção: A área geográfica delimitada engloba os concelhos de Alcobaça, Batalha, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Leiria, Lourinhã, Marinha Grande, Nazaré, Óbidos, Peniche, Porto de Mós, Rio Maior e Torres Vedras.

Área de produção: Os “Coutos de Alcobaça” foram territórios recém conquistados aos Mouros e dados a monges para o povoarem, ocupando assim as áreas com aptidão agrícola, que correspondem às atuais áreas de produção da maçã. Nessa época, como a doçaria estava pouco desenvolvida as frutas, especialmente maçãs, serviam de sobremesa depois de faustosas refeições..

– Maçã de Portalegre IGP –

Descrição: A Maçã de Portalegre IGP, variedade Bravo, é uma maçã média, redonda, achatada, de cor amarela esverdeada, com manchas rosáceas e pedúnculo curto. Bastante apreciada e muito saborosa, é doce com um aroma pronunciado.

Método de produção: Esta variedade inicia a produção aos três/quatro anos, tendo uma vida média de aproximadamente 30 anos. Habitualmente produz ano sim, ano não (safra e contra-safra). É executada uma poda de frutificação (poda de Inverno) e a colheita acontece no final de setembro. Esta é feita diretamente da árvore, tendo em atenção o seu estado de maturação. A maçã é colocada em cestos de madeira revestidos para amortecer a queda do fruto. É depois escolhida e calibrada.

Características particulares: A área geográfica de produção da Maçã de Portalegre IGP corresponde à única mancha desta variedade a Sul do país. A proximidade da Serra de S. Mamede proporciona condições edafoclimáticas específicas, às quais se adaptaram perfeitamente alguns espécimes da variedade Bravo. Estas condições únicas produzem um fruto com características completamente distintas, tanto em coloração como em dimensão, das restantes maçãs da mesma variedade obtidas noutras regiões de produção.

Área de produção: A área geográfica de produção está circunscrita aos concelhos de Marvão, Castelo de Vide e Portalegre.

História: Esta variedade regional, conhecida desde o séc. XVIII, é originária da aldeia de Esmolfe e terá sido obtida a partir de uma árvore proveniente de semente. Sendo os seus frutos muito apreciados, obtiveram-se enxertos que disseminaram esta variedade por várias zonas de produção frutícola. A existência de maçã Bravo nesta região do país remonta ao início do século XX. Constituiu uma das várias tentativas bem-sucedidas de fazer vingar esta variedade da maçã fora da sua área geográfica de origem.

COMPOSIÇÃO
NUTRICIONAL

A tabela 1 representa a composição nutricional de 100g de maçã. Historicamente, o consumo de maçã está associado a saúde. Apesar de não se conseguir identificar benefícios específicos, sabemos que é benéfica para a dentição e possui antioxidantes que previnem doenças cardiovasculares.
Tabela 1. Composição Nutricional por 100g de porção edível de maçã.

Para (100g) % DDR
Energia (kcal) 64
Macronutrientes
Água (g) 82,9
Proteína (g) 0,2
Gordura Total (g) 0,5
Hidratos de Carbono Totais (g) 13,4
Fibra Alimentar (g) 2,1
Vitaminas
Vitamina A (Equivalentes de retinol, µg) 4 1
Vitamina D (µg) 0 0
Vitamina E (α-tocoferol, mg) 0,59 5
Vitamina B1 (Tiamina, mg) 0,02 1,8
Vitamina B2 (Riboflavina, mg) 0,03 2
Vitamina B3 (Niacina, mg) 0,1 1
Vitamina B6 (Piridoxina, mg) 0,04 3
Vitamina B12 (Cobalamina, µg) 0 0
Vitamina C (Ácido Ascórbico, mg) 7 9
Folatos (µg) 5 3
Minerais
Cinza (g) 0,32
Sódio (mg) 6
Potássio (mg) 140 7
Cálcio (mg) 6 1
Fósforo (mg) 8 1
Magnésio (mg) 8 2
Ferro (mg) 0,2 1
Zinco (mg) 0 0

Fonte: TCA – Tabela de Composição de Alimentos. Centro de Segurança Alimentar e Nutrição. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. (Adaptado de: http://www.insa.pt). Dose Legal Recomendada Nacional, aprovada em Diário da República (http://www.apcv.pt/pdfs/legislacao/DL%2054_2010.pdf)

As maçãs são um dos alimentos mais saudáveis que uma pessoa pode comer. As maçãs são ricas em fibras, vitaminas, com poucas calorias e sem gordura ou colesterol. São altas em polifenóis, que funcionam como antioxidantes. Estes polifenóis estão tanto na casca das maçãs quanto na polpa, por isso é aconselhado comer a casca da maçã. Não há benefícios específicos, mas de uma forma geral as maçãs podem reduzir os efeitos da asma e da doença de Alzheimer, além de auxiliar no controle de peso, saúde óssea, função pulmonar e proteção gastrointestinal.