A ameixa é uma fruta macia, com polpa suculenta e aroma característico. De acordo com a variedade, as ameixas podem ter diferentes cores, tamanhos e sabor mais ou menos adocicado.

ORIGEM E HISTÓRIA

A ameixa pertence à subfamília Prunoideae da família Rosaceae, juntamente com outras frutas de caroço duro como o pêssego, cereja e alperce. A maioria das ameixas divide-se em dois grandes grupos: ameixa japonesa (Prunus salicina), que é diploide, e ameixa europeia (Prunus domestica), que é hexaploide e adaptada a climas mais frios.

Curiosamente, a ameixa japonesa surgiu na China, junto ao Rio Yangtze, e predomina, agora, na zona este deste país. No Japão, para além do cultivo comercial, a árvore é muito utilizada como decoração de jardins havendo árvores com mais de 100 anos.

A ameixa europeia tem a origem estimada na Ásia Menor, mas análises a caroços pré-históricos nos vales Suíços indicam que esta espécie pode ser indígena da região Europeia.

O sabor da ameixa varia entre o doce e o ácido, podendo a casca ser particularmente adstringente. Suculenta, pode ser comida fresca ou usada como ingrediente na gastronomia. Em muitos países, o sumo da ameixa é fermentado para fazer vinho de ameixa e/ou destilado para fazer aguardentes.

CLASSIFICAÇÃO
TAXONÓMICA

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Gênero: Prunus

A ameixeira (Prunus domestica) é uma árvore que pode ter até 10 metros de altura. A ameixa é a espécie que originou género Prunus, de onde recebeu o nome latino. Mais tarde, a esta taxonomia foram acrescentadas outras espécies como cereja, amêndoa e pêssego. A ameixa pertence ao subgénero Prunophora, juntamente com o alperce, e o seu cruzamento recente começa a produzir híbridos com algum sucesso comercial.

Segundo os criadores, esses novos híbridos têm melhor qualidade do que os progenitores e dividem-se em três variedades:

– O “Plumcot” é 50% ameixa e 50% de alperce.
– O “Aprium” é 75% de alperce e 25% de ameixa
– O “Pluot” é o híbrido mais popular com 75% de ameixa e 25% de alperce.

Existem duas grandes subespécies de ameixas produzidas no mundo:

Ameixas europeias (Prunus domestica L.) – Frutos geralmente ovais, de menor tamanho e cor mais variável do que as ameixas japonesas. Nos Estados Unidos da América, são desidratadas e normalmente consumidas secas ou em cocktail de frutas. O consumo em fresco é raro.

Ameixa japonesas (Prunus salicina Lindl.) – Frutos maiores, mais redondos (ou em forma de coração) e mais firmes que as ameixas europeias. São as ameixas frescas mais comuns nos Estados Unidos da América.

Também existe uma terceira subespécie, Prunus Insititia, com diferentes variedades. Alguns botânicos consideram que pertence à ameixa europeia. Outros consideram-na uma subespécie à parte por ser selvagem, nativa da Europa e cultivada antes da introdução de Prunus Domestica.

Algumas variedades são:

AMEIXA DE DAMASCO

Mais saborosa que outras ameixas, é rica em açúcares, muito adstringente e geralmente mais piriforme. A polpa tem cor amarela-verde e textura lisa. A epiderme varia de azul escuro a quase preto. Ao contrário das ameixas europeias e japonesas, as ameixas de Damasco não podem ser secas com sucesso. Podem ser identificadas ao examinar o caroço, que varia de forma, tamanho e textura.

ABRUNHO

O fruto é semelhante a uma ameixa pequena e é mais adequado para conservas, por ser bastante azedo e adstringente para consumo em fresco. O sumo é usado para produzir Vinho do Porto falso. Por toda a Europa há variantes de bebidas alcoólicas feitas com este ingrediente.

MIRABELLE

A Mirabelle é pequena, oval, de textura lisa, polpa vermelha ou amarela escura e epiderme amarela. Doce e cheia de sabor, é usada principalmente em conservas e sobremesas. O seu sumo é geralmente fermentado para vinho ou destilado para aguardente de ameixa.

RAÍNHA CLAUDIA

Com a pele lisa de cor verde-clara e forma arredondada, a ameixa Rainha Cláudia é menor que as ameixas comuns, mas maior do que as ameixas Mirabelle (geralmente, entre 2 e 4 centímetros de diâmetro). A cor da epiderme varia de verde a amarelada, com tons de azul pálido em algumas regiões. Normalmente a árvore é enxertada em áreas temperadas e a fruta é conhecida pelo rico sabor para a confeitaria. Considerada entre as melhores ameixas de sobremesa, é perfeita para acompanhar a sericaia alentejana.

Ameixa d’Elvas DOP é uma das mais reconhecidas ameixas pertencentes à variedade Rainha cláudia. Presume-se que é origem francesa e é famosa desde a época de Afonso Henriques. A sua fama chegou até a Grã-Bretanha, servida, por indicação do próprio Lord Wellington, durante o tempo que passou em Portugal.

BOTÂNICA

Planta
As árvores de ameixa têm tamanho pequeno ou médio, semelhante às do pêssego, mas com crescimento mais ereto. As ameixeiras europeias são maiores e mais eretas que as japonesas. Têm folhas ovadas ou oblongo-lanceoladas com pontas agudas ou obtusas, pecíolos curtos e margens serrilhadas. As ameixeiras japonesas têm cascas mais ásperas, esporas mais persistentes e flores mais numerosas do que as ameixeiras europeias, sendo também mais precoces, resistentes a doenças e vigorosas.

Flores
As flores são semelhantes, em morfologia, às flores de pessegueiro, mas brancas, menores e com pedicelos mais longos. As flores são suportadas principalmente em grupos de duas a três, em esporas curtas e solitárias. As ameixeiras europeias florescem muito mais tarde do que as japonesas e, portanto, são menos propensas a sofrer geadas. No entanto, as flores de ameixeiras japonesas são mais abundantes.

Polinização
As abelhas são as principais polinizadoras das ameixeiras. Para as ameixeiras japonesas, a polinização é necessária na maioria dos cultivares para produção comercial. “Bruce”, “AU Producer”, “Beauty”, “Santa Rosa”, “Simka”, “Casselman” e “Methley” não requerem polinização cruzada. Cerca de metade das ameixeiras europeias requerem polinizadores, ao contrário da maioria das principais ameixas secas produzidas nos EUA.

Fruta
A ameixa é uma drupa de forma oval, na subespécie europeia, e redonda para cónica, na subespécie japonesa. A epiderme é constituída por uma cera epicuticular, geralmente presente na superfície, que lhe dá o brilho particular. O tempo de desenvolvimento das ameixas é de dois a seis meses. A maioria do amadurecimento japonês tem um período relativamente curto (3 meses) e algumas ameixas para conservas amadurecem no outono. A poda é necessária para o desenvolvimento adequado do tamanho das ameixas japonesas. No que toca a ameixas europeias, a poda das árvores nem sempre é precisa, já que não são tão floríferas e apresentam frutas geralmente mais leves.

A maior parte dos frutos tem cor azul escura ou quase preta, com polpa amarela. Recentemente, começa a ver-se cada vez mais ameixas com polpa encarnada. Também se encontra, dependendo da preferência dos mercados, ameixas com epiderme amarela e encarnada. Dependendo da variedade e região, a casca da ameixa é uma palete de cores, variando entre o verde, alaranjado, amarelo pálido, vermelho vivo, roxo, azul ou mesmo rosa. Há até uma variedade com epiderme muito transparente que é chamada de bronze.

O fruto, por continuar a amadurecer depois de colhido, é normalmente apanhado antes da maturação estar completa. As ameixas para consumo em fresco devem ser colhidas manualmente e exigem 2 a 4 colheitas durante um período de 7 a 10 dias, tal como o pêssego. As ameixas para conservas ou secagem são colhidas por métodos de agitação e captura, à semelhança da ginja.

Na última fase de evolução do fruto, a acidez reduz-se e os níveis de açúcar aumentam, tornando o sabor mais equilibrado. Quanto mais longínquo for o destino do fruto fresco, mais precoce é a colheita (e mais verde deve ser apanhado).

As ameixas japonesas e as ameixas europeias para o mercado fresco são colhidas com base na cor da pele e na firmeza, embora o teor de açúcar e a relação açúcar/ácido também sejam utilizados. A cor da polpa, a firmeza e o teor de açúcares são os indicadores mais confiáveis para as ameixas. Os frutos frescos, depois de colhidos, devem ser armazenados a temperaturas entre os 0ºC e 2ºC.

Os frutos que se destinam à desidratação são colhidos mais tarde (normalmente uma semana depois), mas também requerem uma atenção especial. Se apanhado antes de tempo, o fruto não vai ter o açúcar necessário para a melhor qualidade quando seco.
Uma variedade de índices é utilizada para a calcular a maturidade da ameixa, dependendo do destino final, variedade e local.

35-45 mm (Médio)
Formato: Oval/Globóide
Epiderme: Cerosa e lisa
Cor: Predominantemente azul escuro, roxo ou amarela
Cor da polpa: Amarela ou vermelha
Características organolépticas: Carnuda, firme, sumarenta e agridoce

PRODUÇÃO MUNDIAL

 

De acordo com o FAOSTAT (2018), o maior produtor de ameixas é a China (6.8 milhões de ton), com uma produção quase 95% vezes superior à do segundo maior produtor, a Sérvia (430 mil ton), seguida pelos Estados Unidos da América (368 206 ton)  e Irão (313 103 ton).

EM PORTUGAL

 

Em Portugal, as áreas com maior produtividade são o Ribatejo, o Oeste, Palmela, Campo Maior, Estremoz, Borba, Algarve e Cova da Beira.

A comercialização da ameixa começa em meados de junho e prolonga-se até meados de outubro. Dá-se, na grande maioria, através das Organizações de Produtores, armazenistas e produtores individuais com alguma dimensão. No mercado interno, cerca de 50% do produto é encaminhado para os mercados abastecedores, sendo o restante repartido pelas grandes superfícies de venda, grossistas e empresas de transformação. Os pequenos produtores, não tendo capacidade de concentração da oferta, vendem à porta da exploração ou abastecem os pequenos mercados locais. Cerca de 20% da ameixa Rainha-Cláudia tem como destino a indústria para confitagem.

A ameixa tem pouco peso na produção total nacional de frutos frescos, com uma produção de 22 177 toneladas (FAOSTAT, 2018).

Contudo, é um fruto com algum sucesso a nível de penetração em mercados estrangeiros, apesar da balança comercial ser ainda deficitária (importações, 7 705 ton; exportações 7434 ton) (INE, 2018) . O Reino Unido, Espanha e Irlanda são três principais mercados internacionais para a ameixa portuguesa (INE, 2006). Os maiores fornecedores do mercado nacional são Espanha, com uma quota de mercado superior a 60% e, em período de contra estação, África do Sul e  Chile (INE, 2006).

– Ameixa de Elvas –

A Ameixa d’Elvas ou Rainha Cláudia pode apresentar-se ao consumidor sob três formas: fresca, em passas ou confitada.

Em fresco, o fruto apresenta-se arredondado e pouco achatado nos polos. Tem cor verde, mas pode exibir outros tons amarelados e rosados, completamente revestidos de pruína. A polpa da ameixa d’Elvas é muito sumarenta e facilmente destacável do caroço. O fruto apresenta, ainda, um aroma intenso característico.

Para originar passas, a ameixa é desidratada, não apresentando mais de 30% de humidade e pelo menos 67% de açúcares totais. Exibe cor castanho-escura, caroço e consistência média e dura, com espessamento da polpa. Sem fendas na epiderme ou vestígios do pedúnculo, possui pele uniforme e um paladar ligeiramente ácido.

 

Pelo processo de confitagem, o fruto fica com a forma arredondada e cor esverdeada ou branca (quando coberto de açúcar). Em calda, é normalmente apresentado em frasco de vidro envolvido na calda natural derivada do fruto.

A Ameixa d’Elvas costuma acompanhar a sericaia, doce típico da região do Alto Alentejo.

COMPOSIÇÃO
NUTRICIONAL

Do ponto de vista nutricional, existem algumas diferenças consideráveis entre variedades de ameixas, principalmente do ponto de vista vitamínico. Não se pode dizer que uma é pior que a outra, pois todas têm os seus benefícios associados. A tabela 1 representa a composição nutricional de 100g de ameixa encarnada.
Tabela 2. Composição Nutricional por 100g de porção edível de ameixa encarnada.

Para (100g) % DDR
Energia (kcal) 41
Macronutrientes
Água (g) 88
Proteína (g) 0,8
Gordura Total (g) 0,2
Hidratos de Carbono Totais (g) 7.4
Fibra Alimentar (g) 1.9
Vitaminas
Vitamina A (Equivalentes de retinol, µg) 70 9
Vitamina D (µg) 0 0
Vitamina E (α-tocoferol, mg) 0.6 5
Vitamina B1 (Tiamina, mg) 0,02 2
Vitamina B2 (Riboflavina, mg) 0,08 6
Vitamina B3 (Niacina, mg) 0.5 3
Vitamina B6 (Piridoxina, mg) 0,05 4
Vitamina B12 (Cobalamina, µg) 0 0
Vitamina C (Ácido Ascórbico, mg) 2 3
Folatos (µg) 6 3
Minerais
Cinza (g) 0.31
Sódio (mg) 2 0
Potássio (mg) 190 10
Cálcio (mg) 13 5
Fósforo (mg) 13 2
Magnésio (mg) 7 2
Ferro (mg) 0.2 1
Zinco (mg) 0 0

Fonte: TCA – Tabela de Composição de Alimentos. Centro de Segurança Alimentar e Nutrição. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. (Adaptado de: http://www.insa.pt). Dose Legal Recomendada Nacional, aprovada em Diário da República (http://www.apcv.pt/pdfs/legislacao/DL%2054_2010.pdf)

A ameixa deve ser consumida em fresco, enquanto está firme, com aparência fresca e cor viva. Conforme a variedade, as ameixas podem apresentar algumas diferenças no sabor: por exemplo, a ameixa “Rainha Cláudia” possui maiores quantidades de açúcar e, portanto, será ligeiramente mais doce do que outras variedades. As variações nutricionais entre variedades são, no entanto, pouco significativas, ocorrendo principalmente a nível dos micronutrientes.

Por ser um fruto difícil de conservar na sua forma natural, o seu consumo fora de época pode ser feito através dos seus derivados como sumos, compotas, licores, conservas em calda de açúcar ou desidratada. As ameixas secas são excelentes para recheios de carne, bolos e sobremesas.

Os caroços da ameixeira contêm ácido cianídrico, pelo que não devem ser ingeridos. A ameixa seca tem uma percentagem de glícidos de cerca de 60%, dos quais 44% são açúcares, possuindo um valor energético (por 100g) muito mais elevado do que a ameixa fresca. Este fruto é, ainda, conhecido pelas suas propriedades laxantes.