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17 Dec
Entrevista a Nuno Carvalho

O empreendedor frutícola Nuno Carvalho foi um dos vencedores da bolsa de 20.000€ da Academia do Centro de Frutologia Compal e partilha, nesta entrevista, a sua experiência na fruticultura e no programa de formação.

Sempre teve desejo de se dedicar à fruticultura?

A minha formação inicial é bioquímica. Por essa razão, sempre imaginei a minha carreira profissional dentro de um laboratório. O que me levou a dedicar-me à fruticultura foram as circunstâncias, os incentivos ao investimento e os novos desafios. As circunstâncias porque, infelizmente, em Portugal há muito poucos lugares de colocação para um bioquímico. Os incentivos europeus foram muito importantes porque, sem eles, nunca teria começado esta aventura. Quanto aos novos desafios, é simplesmente porque detesto ficar inativo e acredito no potencial agrícola português.

Por que razão escolheu a fruta que cultiva? Pensa plantar também outras frutas?

Inicialmente estava previsto plantar kiwis, mas, como esta fruta não é muito adequada à minha região, orientei-me para o pêssego, as ameixas e a cereja. Por enquanto, estes três tipos de fruta satisfazem-me plenamente, mas, se no futuro houver uma grande procura de outras frutas e que estas sejam adequadas ao clima da minha região, posso também plantar outras frutas.

O que o levou a candidatar-se ao Centro de Frutologia Compal?

O principal motivo foi saber que uma grande empresa como a Compal estava interessada em apoiar os agricultores nacionais. Pode parecer estranho, mas, para um jovem produtor de fruta, o acesso a negócios com a Compal parecia-me um bicho de sete cabeças. Pensava que só os grandes produtores do outro lado do mundo tinham a possibilidade de negociar com a Compal. Quando me apercebi que não só podia entregar a minha fruta à Compal, mas que ainda por cima podia vir a ganhar uma das três bolsas de instalação, acabou por me incentivar e participar.

Como correu a formação?

A formação correu muito bem. Aprendi coisas das quais não estava à espera mas sobretudo tomei plena consciência da verdadeira dimensão do mundo da agricultura em geral e da fruticultura em particular. Graças a esta formação, pude ver o potencial de Portugal e o lugar importante que ele ocupa numa economia cada vez mais mundializada.

Que mais valias lhe trouxe a formação?

Graças à formação tive acesso a utensílios tecnológicos que ajudam à rentabilidade de produção fazendo apelo a drones e outros aparelhos de medida. Além disso, fiquei a conhecer algumas das empresas que prestam esses serviços, assim como as entidades e associações que apoiam a agricultura em Portugal.

Em que consistia o seu projeto final com que venceu a bolsa de financiamento?

Quando concorri à bolsa de financiamento foi apenas com o meu nome, mas, na realidade, e nunca deixei de o salientar, o meu projecto consiste em 4 projetos num só. Ao todo somos quatros primos que se juntaram para criar uma empresa familiar. Cada um faz um projecto individual através dos fundos comunitários e, no final, junta-se tudo. Quando concorri ao Centro de Frutologia Compal, um dos meus primos já tinha terminado o projeto dele e o meu estava em fase de iniciação. O primeiro projeto é de produção de pêssego e ameixa e o segundo é de pêssego e cereja. Os próximos dois projetos serão a continuação dos dois primeiros, se possível, com áreas maiores.

Que metas tem delineadas para o futuro?

É muito difícil definir valores certos até porque em fruticultura existem fatores que saem fora do nosso controlo como, por exemplo, os fenómenos meteorológicos, doenças, pragas e, infelizmente, cada vez mais incêndios. Mas posso afirmar que o objetivo final será ampliar a área de produção e produzir cada vez mais, sem reduzir a qualidade da fruta.

Em forma de resumo, como tem sido esta sua aventura na fruticultura e como tem sido conquistar estas vitórias?

Em 2012 e impulsionados pelas ajudas comunitárias, três dos meus primos e eu tivemos a ideia de criar uma empresa familiar ligada à fruticultura. A estratégia era simples e consistia em criar quatro projetos individuais e sucessivos para se poder juntar tudo no final.

O primeiro a lançar-se foi um dos meus primos em 2013. Como o financiamento e o desenvolvimento do projeto tinham corrido bem, decidimos avançar com o meu projeto.

Alguns meses mais tarde, concorri à Academia do Centro de Frutologia Compal e felizmente fui um dos três premiados. Para nós, foi um verdadeiro folgo de ar fresco porque podemos investir no projeto de maneira mais rápida apesar de já termos contraído um empréstimo bancário.

Do ponto de vista agrícola, os dois projetos estão a correr bem, mas as vitórias não têm sido fáceis de conquistar. As geadas tardias têm afetado muito as produções, mas esses fatores já são bastante conhecidos.