enciclopédia da fruta

A laranja é o citrino mais produzido em todo o mundo. Sabemos que a sua origem nos transporta até à Ásia, mas é difícil identificar exatamente onde e quando foi plantada a primeira laranjeira.

ORIGEM E HISTÓRIA



A laranja é o citrino mais produzido em todo o mundo. Sabemos que a sua origem nos transporta até à Ásia, mas é difícil identificar exatamente onde e quando foi plantada a primeira laranjeira. O que se sabe com exatidão é que o género Citrus já é cultivado há mais de 4000 anos e pensa-se que a laranja, na variedade doce de que tanto gostamos, resultou do cruzamento entre a tangerina e a toranja.

Alguns investigadores afirmam que a laranja doce deve ter começado a ser cultivada no norte da Índia[1] onde a origem da palavra laranja vem de “nareng[2], que quer dizer laranjeira.

Depois de se ter disseminado pela Ásia, acredita-se que os portugueses trouxeram a laranja para a Europa no século XVI. É curioso constatar que atualmente em vários países a laranja foi batizada com o nome do nosso país: na Turquia chama-se “portakal”, na Grécia “portokáli” e na Roménia “portocálâ”.

Da Europa, a laranja chegou ao continente americano e começou a ser produzida em larga escala no Brasil, EUA (principalmente na Flórida) e México. O Brasil e os EUA tornaram-se os maiores produtores (mais de 50% da produção mundial) e a maior parte dos frutos que produzem são usados para o fabrico de sumo. Atualmente, as laranjas são cultivadas em praticamente todo o mundo, tanto em áreas tropicais como subtropicais. Apesar das semelhanças aparentes entre algumas variedades, mesmo em regiões vizinhas podemos ter grandes diferenças no perfil organolético.

Apesar do Algarve ser uma das regiões do mundo com melhores condições para produzir laranja com grande qualidade, Portugal ainda tem necessidade de importação de laranja.

 

[1] “La diversidad genética de los cítricos”, Andrés Garcia, 2013.

[2] Collins Dictionary.

A laranja é o citrino mais produzido em todo o mundo. Sabemos que a sua origem nos transporta até à Ásia, mas é difícil identificar exatamente onde e quando foi plantada a primeira laranjeira. O que se sabe com exatidão é que o género Citrus já é cultivado há mais de 4000 anos e pensa-se que a laranja, na variedade doce de que tanto gostamos, resultou do cruzamento entre a tangerina e a toranja.

Alguns investigadores afirmam que a laranja doce deve ter começado a ser cultivada no norte da Índia[1] onde a origem da palavra laranja vem de “nareng[2], que quer dizer laranjeira.

Depois de se ter disseminado pela Ásia, acredita-se que os portugueses trouxeram a laranja para a Europa no século XVI. É curioso constatar que atualmente em vários países a laranja foi batizada com o nome do nosso país: na Turquia chama-se “portakal”, na Grécia “portokáli” e na Roménia “portocálâ”.

Da Europa, a laranja chegou ao continente americano e começou a ser produzida em larga escala no Brasil, EUA (principalmente na Flórida) e México. O Brasil e os EUA tornaram-se os maiores produtores (mais de 50% da produção mundial) e a maior parte dos frutos que produzem são usados para o fabrico de sumo. Atualmente, as laranjas são cultivadas em praticamente todo o mundo, tanto em áreas tropicais como subtropicais. Apesar das semelhanças aparentes entre algumas variedades, mesmo em regiões vizinhas podemos ter grandes diferenças no perfil organolético.

Apesar do Algarve ser uma das regiões do mundo com melhores condições para produzir laranja com grande qualidade, Portugal ainda tem necessidade de importação de laranja.

 

[1] “La diversidad genética de los cítricos”, Andrés Garcia, 2013.

[2] Collins Dictionary.

CLASSIFICAÇÃO
TAXONÓMICA

Reino: Plantae

Divisão: Magnoliophyta

Classe: Magnoliopsida

Ordem: Sapindales

Família: Rutaceae

Género: Citrus

O género Citrus pertence à família Rutaceae e não existe consenso relativamente ao número de espécies que existem dentro deste género. Em 1975, depois de muitos estudos filogenéticos, decidiu-se agrupar o género Citrus em três grandes grupos de espécies (as outras variedades seriam resultado de cruzamentos genéticos destes três grupos). A laranja doce, que mais frequentemente estamos habituados a consumir, pertence a um destes três grupos de espécies que foram definidos: Citrus sinensis.

O interesse comercial da laranja conduziu à exploração de vários cruzamentos para originar diferentes variedades.  Uma destas principais variedades é a Washington Navel, considerada a “rainha das laranjas” por ser mais doce e suculenta, quase não ter caroços e ter uma casca mais espessa e mais fácil de descascar. Esta variedade foi descoberta no Brasil (na Baía) e levada para os EUA no século XIX, mas existem muito mais variedades de laranja espalhadas pelo mundo. Para além das variedades dentro da espécie de laranja doce (Citrus sinensis), existe o grupo Citrus aurantium e Citrus bermagia que não são consumidas em fresco, mas sim utilizadas para produção de subprodutos (como doce de laranja e chá).

O género Citrus pertence à família Rutaceae e não existe consenso relativamente ao número de espécies que existem dentro deste género. Em 1975, depois de muitos estudos filogenéticos, decidiu-se agrupar o género Citrus em três grandes grupos de espécies (as outras variedades seriam resultado de cruzamentos genéticos destes três grupos). A laranja doce, que mais frequentemente estamos habituados a consumir, pertence a um destes três grupos de espécies que foram definidos: Citrus sinensis.

O interesse comercial da laranja conduziu à exploração de vários cruzamentos para originar diferentes variedades.  Uma destas principais variedades é a Washington Navel, considerada a “rainha das laranjas” por ser mais doce e suculenta, quase não ter caroços e ter uma casca mais espessa e mais fácil de descascar. Esta variedade foi descoberta no Brasil (na Baía) e levada para os EUA no século XIX, mas existem muito mais variedades de laranja espalhadas pelo mundo. Para além das variedades dentro da espécie de laranja doce (Citrus sinensis), existe o grupo Citrus aurantium e Citrus bermagia que não são consumidas em fresco, mas sim utilizadas para produção de subprodutos (como doce de laranja e chá).

BOTÂNICA



A árvore do género Citrus tem porte médio-pequeno, folha perene com alguns galhos espinhosos. Apesar da maior parte crescer no sentido vertical, há variedades com crescimento horizontal. Os rebentos são verdes e as folhas têm o formato de lança arredondada, podendo atingir até 10 centímetros de comprimento.

A flor da laranjeira tem normalmente cinco pétalas. É branca, com tons rosa e púrpura e bastante aromática.

O interior da laranja é normalmente carnudo dividido entre 10 a 14 gomos, de cor entre o amarelo, laranja e vermelho.

A casca da laranja contém óleo que é utilizado como aromatizante e em produtos cosméticos e medicinais.

A espécie Citrus sinensis (laranja doce), prefere climas subtropicais com alteração de estações. Os climas tropicais tornam-na mais suscetível a doenças e pestes, climas mais frios originam geadas que podem danificar a produção.

A precipitação ideal, sem rega, é de 1010mm a 1150mm por metro quadrado. A temperatura ideal varia entre os 12ºC e os 37ºC no verão e entre 1ºC e 10ºC no inverno. Estas árvores toleram vários tipos de solos e podem ser encontradas em solos de gravilha, mais arenosos e até muito barrentos, desde que sejam férteis, arejados e irrigados. No entanto, a maior produtividade ocorre em solos arenosos.

O desenvolvimento do fruto demora entre 5 a 18 meses dependendo da região e da área de cultivo. O crescimento começa por ter uma forma sigmoide e, na fase de maturação, a cor da casca passa de verde escuro para laranja. Árvores que recebem mais sol dão frutos com cores mais intensas que árvores que estão à sombra. A laranja não amadurece mais depois de ser colhida e por isso deve atingir a maturação perfeita ainda na árvore. Pode, no entanto, depois de atingir a maturação, manter-se na árvore durante algum tempo sem se deteriorar. A colheita continua a ser maioritariamente manual, para evitar danificar a árvore ou a qualidade do fruto.

Depois de colhidas, as laranjas têm um período de vida longo, que varia entre três a cinco meses, dependendo da temperatura a que são conservadas.

A árvore do género Citrus tem porte médio-pequeno, folha perene com alguns galhos espinhosos. Apesar da maior parte crescer no sentido vertical, há variedades com crescimento horizontal. Os rebentos são verdes e as folhas têm o formato de lança arredondada, podendo atingir até 10 centímetros de comprimento.

A flor da laranjeira tem normalmente cinco pétalas. É branca, com tons rosa e púrpura e bastante aromática.

O interior da laranja é normalmente carnudo dividido entre 10 a 14 gomos, de cor entre o amarelo, laranja e vermelho.

A casca da laranja contém óleo que é utilizado como aromatizante e em produtos cosméticos e medicinais.

A espécie Citrus sinensis (laranja doce), prefere climas subtropicais com alteração de estações. Os climas tropicais tornam-na mais suscetível a doenças e pestes, climas mais frios originam geadas que podem danificar a produção.

A precipitação ideal, sem rega, é de 1010mm a 1150mm por metro quadrado. A temperatura ideal varia entre os 12ºC e os 37ºC no verão e entre 1ºC e 10ºC no inverno. Estas árvores toleram vários tipos de solos e podem ser encontradas em solos de gravilha, mais arenosos e até muito barrentos, desde que sejam férteis, arejados e irrigados. No entanto, a maior produtividade ocorre em solos arenosos.

O desenvolvimento do fruto demora entre 5 a 18 meses dependendo da região e da área de cultivo. O crescimento começa por ter uma forma sigmoide e, na fase de maturação, a cor da casca passa de verde escuro para laranja. Árvores que recebem mais sol dão frutos com cores mais intensas que árvores que estão à sombra. A laranja não amadurece mais depois de ser colhida e por isso deve atingir a maturação perfeita ainda na árvore. Pode, no entanto, depois de atingir a maturação, manter-se na árvore durante algum tempo sem se deteriorar. A colheita continua a ser maioritariamente manual, para evitar danificar a árvore ou a qualidade do fruto.

Depois de colhidas, as laranjas têm um período de vida longo, que varia entre três a cinco meses, dependendo da temperatura a que são conservadas.

Tamanho: 65-95 mm (Médio)

Formato: Oval/Globoíde

Epiderme: Rugosa e aderente

Cor: Amarela a laranja escura

Cor da polpa: Amarela, laranja e avermelhada

Características organolépticas: Dividida em gomos, carnudos e sumarentos

PRODUÇÃO MUNDIAL

 

A laranja é o citrino mais produzido no mundo, ocupando uma área de produção superior a 3,6 milhões de hectares. O Brasil é o maior produtor mundial (30%), seguido dos EUA (19%), México (6%), China (6%) e Espanha (4%, é o principal fornecedor nacional). Na última década, a produção mundial aumentou 15% e a área de produção aumentou 8%.

A laranja é consumida em fresco, mas grande parte da produção destina-se à produção de sumo. Para além disso, a laranja também produz subprodutos importantes como os óleos essenciais, utilizados para a produção de chás, perfumes, aromatizantes, sabonetes, cosméticos e até alguns fármacos.

Em Portugal a produção de laranja ocupa uma área de 20.361 hectares, de onde resulta uma produção anual superior a 200.000 toneladas.

Depois da maçã, a laranja é o fruto fresco mais produzido em Portugal continental.

EM PORTUGAL

Em Portugal a produção de laranja ocupa uma área de 20.361 hectares, que resulta numa produção anual superior a 200.000 toneladas. As zonas de produção mais representativas em Portugal são o Algarve, a zona da Vidigueira e o Ribatejo, mas é no Algarve onde existem melhores condições para a produção deste fruto, sendo esta a região com maior produtividade[1].

Depois da maçã, a laranja é o fruto mais produzido em Portugal continental. As principais variedades produzidas no nosso país são: Baía (Washington navel), Navelina (Newhall, Dalmau), Lane late, Navel late, Rhodee barnfield, Valencia late (clones: D. João, Frost, Olinda), de Setúbal e Jaffa[2].

Em Portugal, a comercialização de laranja ocorre durante todo o ano, devido à utilização de variedades de meia estação e variedades tardias. As variedades Dalmau e Newhall são colhidas entre novembro e março, as Baía e Jaffa de fevereiro e abril e as Valencia late e Lane late desde março a agosto (estas últimas, apenas na região algarvia).

Normalmente a comercialização da laranja é efetuada logo após a colheita, pois as estruturas de frio são escassas e caras. Apenas se utilizam métodos de conservação nos casos de excesso de oferta e nunca para maturação, uma vez que a laranja não amadurece após a colheita.

 

[1] Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agroalimentares

[2] Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agroalimentares

Em Portugal a produção de laranja ocupa uma área de 20.361 hectares, que resulta numa produção anual superior a 200.000 toneladas. As zonas de produção mais representativas em Portugal são o Algarve, a zona da Vidigueira e o Ribatejo, mas é no Algarve onde existem melhores condições para a produção deste fruto, sendo esta a região com maior produtividade[1].

Depois da maçã, a laranja é o fruto mais produzido em Portugal continental. As principais variedades produzidas no nosso país são: Baía (Washington navel), Navelina (Newhall, Dalmau), Lane late, Navel late, Rhodee barnfield, Valencia late (clones: D. João, Frost, Olinda), de Setúbal e Jaffa[2].

Em Portugal, a comercialização de laranja ocorre durante todo o ano, devido à utilização de variedades de meia estação e variedades tardias. As variedades Dalmau e Newhall são colhidas entre novembro e março, as Baía e Jaffa de fevereiro e abril e as Valencia late e Lane late desde março a agosto (estas últimas, apenas na região algarvia).

Normalmente a comercialização da laranja é efetuada logo após a colheita, pois as estruturas de frio são escassas e caras. Apenas se utilizam métodos de conservação nos casos de excesso de oferta e nunca para maturação, uma vez que a laranja não amadurece após a colheita.

 

[1] Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agroalimentares

[2] Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agroalimentares

 

 

Laranja do Algarve

 

Os Citrinos do Algarve IGP (Indicação Geográfica Protegida)[1] têm uma casca fina e são bastante sumarentos e doces. O clima regional permite dois picos de produção em dezembro/janeiro e em junho/julho. A Laranja do Algarve IGP tem de ser de uma das seguintes variedades: Dalmau (Navelina), Newhall e Valencia late.

Os citrinos no Algarve surgem associados à flora do sul da Península Ibérica e demais zonas mediterrânicas. Os navegadores portugueses trouxeram os frutos no século XVI e o cultivo dos citrinos espalhou-se na região. Pensa-se que foi a partir daqui que os citrinos se espalharam pelo mundo. No Algarve, e desde tempos que remontam ao século XVIII, as árvores de Natal eram decoradas com laranjas, mostrando a importância dos citrinos, e mais concretamente da laranja, na cultura da região.

 

[1] Produtos Tradicionais Portugueses, DGA

 

 

Laranja dos Açores

 

A cultura da laranjeira no arquipélago dos Açores remete ao século XVI[1], mas só a partir de meados do século XVIII a produção de laranja começou a dar lucro aos proprietários açorianos.

As laranjas tinham como principal destino o porto de Londres, mas há relatos destas laranjas serem apreciadas em toda a Europa. Infelizmente, epidemias de doenças e pestes foram uma praga para os laranjais, durante meados do século XIX.

A economia da laranja foi tão importante que o período entre 1750 e 1870 é chamado, nos Açores, o ciclo da laranja.

[1] “A importância da “economia da laranja” no arquipélago dos Açores, durante o século XIX”, Fátima Sequeira Dias, Universidade dos Açores, Departamento de História.

 

 

 

 

 

COMPOSIÇÃO
NUTRICIONAL

 

A tabela representa a composição Nutricional de 100g de laranja. É muito rica em vitamina C, ácido fólico e minerais e também contém betacaroteno, um poderoso antioxidante.

Para (100g) % DDR
Energia (kcal) 47-51
Macronutrientes
Água (g) 86
Proteína (g) 0,7 – 1,3
Gordura Total (g) 0,1 – 0,3
Hidratos de Carbono Totais (g) 12 – 12,7
Fibra Alimentar (g) 0,5
Vitaminas
Vitamina A (Equivalentes de retinol, µg) 20 3%
Vitamina D (µg) 0 0%
Vitamina E (α-tocoferol, mg) 0,24 2%
Vitamina B1 (Tiamina, mg) 0,1 9%
Vitamina B2 (Riboflavina, mg) 0,04 3%
Vitamina B3 (Niacina, mg) 0,4 3%
Vitamina B6 (Piridoxina, mg) 0,1 7%
Vitamina B12 (Cobalamina, µg) 0 0%
Vitamina C (Ácido Ascórbico, mg) 53 66%
Folatos (µg) 31 16%
Minerais
Cinza (g) 0,6
Sódio (mg) 1 0%
Potássio (mg) 195 10%
Cálcio (mg) 41,5 5%
Fósforo (mg) 20 3%
Magnésio (mg) 11 3%
Ferro (mg) 0,5 4%
Zinco (mg) 0,1 1%

Fonte: A Tabela de Composição de Alimentos. Centro de Segurança Alimentar e Nutrição. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. (Adaptado de: http://www.insa.pt) Dose Legal Recomendada Nacional, aprovada em Diário da República (http://www.apcv.pt/pdfs/legislacao/DL%2054_2010.pdf)

 

Duas laranjas ou um copo de sumo correspondem 100% das recomendações diárias de vitamina C (80mg para um adulto). A vitamina C, ou ácido ascórbico, é necessária para o crescimento e reparação de praticamente todos os tecidos do corpo humano. Contribui para a formação de colagénio, absorção de ferro e fortalecimento do sistema imunitário. A laranja também tem ácido cítrico, que potencia a ação da vitamina C. Ao mesmo tempo, os fitoquímicos e bioflavonoides, presentes nos citrinos, inibem certas enzimas que metabolizam procarcinogénicos, reduzindo a capacidade de se tornarem cancerígenos.

Para conservar o aroma e sabor deve ser guardada em local fresco e seco, evitando o recurso ao frigorífico. A laranja é um fruto delicioso para ser comido fresco, para ser bebido como sumo ou para ser utilizado como ingrediente na nossa gastronomia, como por exemplo na reconhecida torta de laranja do Algarve.